sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Do ser


"Drained by the anger and grief 
Fazed by the envy and greed 
The secret cries for a release
The lucidity hidden deep in sweet pandemonium"

Desde a mais tenra infância, recordo-me de viver absorta em pensamentos. Gritos e sussuros na mais ensurdecedora inquietude.
Profundissimamente claustrofóbica, este ambiente me causa repugnância. 'Sobia-me à boca uma ânsia análoga à ânsia'. As pernas se agitavam convulsivamente, não me aguentava dentro de mim.
Desperta de um sono, inconformada e inadaptável. Algo terrível mas adorável. Pregada aos indizíveis abismos do meu mistério.

Lançada ao mundo cansada, letárgica das ruínas de ser.
Toda vez que senti o súbito de gritar por ajuda, corri. Me isolei, até que passasse. Quando finalmente recuperava a razão, meu estado era o próprio desengano.

Tomada por um sentimento contraditório. Não havia sequer um mendigo que eu não invejasse, simplesmente por não ser eu. Ao mesmo tempo, não haveria qualquer ser no universo que me afeiçoasse de ser, simplesmnte por não ser eu e minha singularíssima doença perpétua.

Porque sou mais sã enquanto deliro. Sou mais calma no meu pandemônio.

2 comentários:

  1. Que gosto ler isso!

    "Desperta de um sono, inconformada e inadaptável."

    toda o teu texto é digno da arte! parabéns, sempre!

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  2. Por um simples fato de ser você...

    ;)

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